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Data: 28/01/2011
Ressuscitam a figura do vampiro mau depois de overdose de mordedores bonzinhos
17/10/2011 | 17:57
Que a falta de criatividade na indústria cinematográfica está a cada dia mais visível não é novidade. Prova disso é a quantidade de adaptações e remakes lançados todas as semanas, como é o caso de A Hora do Espanto, adaptação de um filme do ano de 1985. O problema dessa moda é que as produções parecem ser requentadas, tendo sabor bastante insosso.
Ao menos A Hora do Espanto, versão 2011, não traz vampiros bonzinhos que brilham no escuro e são sensíveis. Pelo contrário, o vilão do filme é um vampiro mal, sedutor, violento e que realmente quer sangue. É um herdeiro direto de Drácula, e não um genérico açucarado. Por sorte honra o original, apesar de alguns deslizes.
O diretor Craig Gillespie foi inteligente ao respeitar o legado do anterior, que continua acumulando fãs, mas não consegue unir terror e humor com a mesma destreza. A história foi modernizada para poder ser reconhecida como cotidiana, apesar de mostrar um vampiro como vizinho. O protagonista é mais descolado, vivem em Las Vegas, o bullying está presente no roteiro, e Peter Vincent não é mais um ator decadente e sim um ilusionista. De resto, tentam realmente manter a idéia original.
Na trama Charlie é um ex-nerd que renega o passado para conquistar a menina mais popular do colégio. Quando um dos seus amigos de infância quer convencê-lo de que o vizinho é um vampiro ele não acredita, mas pouco a pouco passa a dar credibilidade a essa idéia e faz de tudo para proteger a mãe e a namorada do vampiro em pele de cordeiro… e que cordeiro!
Os acontecimentos sucedem rápido demais, o que parece certo atropelo do roteiro e torna a história superficial. Não se consegue criar empatia pelos personagens justamente porque não há muito tempo para serem construídos e saírem da superficialidade. Colin Farell, por exemplo, mostra-se charmoso e sexy no personagem frio que aparenta eterno tédio, mas não tem tempo para trabalhar a fundo todas essas características. De qualquer maneira, supera o antecessor, interpretado por Chris Sarandon, que faz participação nesse remake como o motorista que se envolve num acidente com o vampiro e o carro de Charlie.
Tenho dúvidas quanto à nova versão agradar aos fãs do original, mas o novo filme serve como entretenimento sem cenas de susto ou clima de terror, porque quando você pensa que chegará o clímax, o filme acaba. O longa consegue criar o clima, mas não consegue executá-lo para que gere a tensão esperada nesse gênero.
A nova versão de A Hora do Espanto com certeza irá envelhecer porque não há potencial para se tornar um clássico. Pelo menos o longa não entrou na onda vampiresca de mordedores bonitinhos e bobinhos, e mostra os sugadores como criatura das trevas, o que não significa que o cinema já não esteja saturado de vampiros.