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Yamaha XT1200Z enfrenta qualquer terreno e faz jus ao sobrenome Super Ténéré

Nas primeiras voltas tive a impressão que seria difícil domar essa gigante em estradas de terra, repletas de buracos onde o asfalto nem pensa em chegar. Mas a Super Ténéré não foi projetada para dar apenas uma "voltinha"

10/05/2011 | 18:58 | Uol Carros

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Nova geração da big-trail japonesa foi projetada para longas viagens por qualquer tipo de estrada

À primeira vista, o enorme tanque de 23 litros, os 261 quilos e o assento a 87 cm do chão da Yamaha Super Ténéré XT 1200Z intimidam. Nas primeiras voltas tive a impressão que seria difícil domar essa gigante em estradas de terra, repletas de buracos onde o asfalto nem pensa em chegar. Mas a Super Ténéré não foi projetada para dar apenas uma “voltinha”, e também não se deixa conhecer em poucos quilômetros.

Afinal essa big-trail foi criada para encarar longas viagens, até onde sua disposição o levar. Por isso rodamos 1.400 km por rodovias de pavimento liso, estradas sinuosas de piso ruim e caminhos de terra.

De início, o motor de dois cilindros paralelos, 1.199 cm³ de capacidade, refrigeração líquida e duplo comando de válvulas (DOHC) mostra toda sua “agressividade”. Um pouco barulhento, responde quase que instantaneamente a qualquer giro no acelerador, quase como um “soco” no estômago. Com sistema ride-by-wire e injeção eletrônica, é preciso se segurar ao guidão em acelerações mais impetuosas. Um verdadeiro cavalo “brabo”.

NO ASFALTO

Conforme os giros crescem, a brutalidade diminui e a Super Ténéré roda tranquilamente a 120 km/h abaixo de 4.000 rpm. Demonstrando que muitos dos 110 cavalos de potência máxima ainda estão sonolentos e só vão “cavalgar” a 7.250 rpm. Resta também bastante força para ultrapassagens e acelerações — afinal o torque máximo de 11,6 kgfm só chega a 6.000 rpm.

Mas o comportamento do bicilíndrico realmente surpreende. Tem bastante fôlego para altas velocidades, chegando com facilidade aos 180 km/h e com poucas vibrações — exceto em marchas mais altas e giros mais baixos em retomadas, quando o propulsor vibra um pouco, mas nada que chegue a incomodar.

Para respostas mais suaves, acionei o modo de pilotagem “Touring”. Nos primeiros 300 km, escolhi a tocada mais relaxada. Para que o botão no punho direito faça a mudança é preciso fechar o acelerador. Depois, já em uma estrada de mão dupla e sinuosa, onde é necessário rapidez para ultrapassagens, escolhi o modo “Sport”. O mesmo ímpeto nas arrancadas apareceu novamente.

O consumo no primeiro trecho da viagem foi de pouco mais de 17 litros, bom para uma motocicleta deste porte e tamanho. E melhor ainda para sua proposta: afinal a autonomia chegaria teoricamente aos 400 km, já que o tanque tem 23 litros de capacidade.

Descobri uma das “falhas” do computador de bordo no painel digital: não informa a autonomia e nem a marcha engatada. Por outro lado destaca o consumo instantâneo, médio; temperatura do ar e conta até com um relógio. Além de dois hodômetros parciais, a indicação do modo de pilotagem, o controle de tração, nível de combustível, e claro, a velocidade. Ao lado um conta-giros analógico. Completo e de fácil leitura, o painel peca ainda por não ter comandos nos punhos: para navegar é preciso pressionar um dos botões no próprio instrumento.

Mas nesta longa jornada, tive todo o tempo do mundo e também o conforto para procurar cada um desses “defeitos”. Confortavelmente “montado” na big-trail. Posso também elogiar a boa ergonomia e a posição de pilotagem ereta e natural — em minha opinião, todas as motos big-trails, como a Super Ténéré, oferecem o conforto ideal para uma viagem de muitos quilômetros.

O largo banco tem espuma abundante e me permitiu tocar os primeiros 300 km sem cansar. Aqui vai outro ponto positivo. Apesar de amplo, o banco tem a parte dianteira estreita e permite apoiar sem muita dificuldade um dos dois pés no chão. Regulável em duas alturas (845 – 870 mm), adapta-se a maioria dos biótipos.

O parabrisa garantiu a proteção do vento na medida para mim (tenho 1,71 m de altura), porém somente na posição mais alta — para ajustar “basta” tirar quatro parafusos. Para pilotos mais altos, a Yamaha ainda oferece uma bolha maior, como opcional.

Ao final da primeira perna da aventura, 650 km por asfalto, conclui que a nova Yamaha Super Ténéré tem bom desempenho para rodovias retas e se sai bem em trechos sinuosos — sem mostrar instabilidade no trem dianteiro mesmo em altas velocidades. Seu motor não vibra muito e o consumo está dentro do esperado.

NA TERRA

O dia seguinte reservava o verdadeiro desafio da Super Ténéré 1200. Herdeira das motocicletas Yamaha vencedoras do Rally Paris-Dakar, a nova big-trail japonesa fez subir a adrenalina dos apaixonados por aventura quando apareceu nos vídeos promocionais enfrentando as areais do deserto, estradas de cascalho e até mesmo trilhas esburacadas. Com um trecho de 100 km de terra pela frente, chegava a hora de conferir se a nova Super Ténéré fazia jus ao seu sobrenome famoso.

Logo nos primeiros quilômetros uma estrada cheia de pedras grandes e muitos buracos. Impressionantemente, apesar de seu grande porte, essa Yamaha enfrentou com braveza os obstáculos. Muito em função da excelente distribuição de peso (50,5% no eixo dianteiro) e do baixo centro de gravidade — em função do motor compacto que concentra o peso bem embaixo da moto. Nessa situação, o quadro tipo espinha dorsal e o conjunto de suspensões absorveram com maestria as imperfeições do terreno. Foi possível rodar em baixa velocidade, graças ao grande torque do motor e superar a “buraqueira”.

Os quilômetros seguintes reservavam mais emoção. Cascalho solto e muito trabalho para o controle de tração. Com todo o torque na roda traseira transmitido por meio de um eixo-cardã, o sistema no nível um — acionado com a moto parada e por meio de um botão do lado esquerdo do painel — tenta evitar as derrapagens a todo o momento, sendo muito intrusivo. Já no segundo nível a Super Ténéré se sentiu em casa. É possível ainda desligar completamente o sistema. As suspensões — telescópica invertida na dianteira e balança monoamortecida na traseira — também ignoravam os ressaltos na estrada de terra.

Até me surpreendi com as derrapagens controladas que fui capaz de fazer. Em curvas, bastava dar a mão e pressionar a pedaleira externa para que a Super Ténéré compensasse a falta de aderência e seguisse a trajetória desejada. Oriundo das motos de Moto GP, o sistema de controle de tração merece nota dez. Seu funcionamento foi impecável.

Aqui outro detalhe importante: a ergonomia do guidão e do tanque para se pilotar em pé é excelente. Contribui ainda a pedaleira que, conforme o piloto se levanta, a borracha que a protege se comprime, facilitando o apoio dos pés e também o acesso ao pedal de câmbio e freio.

Gostei também do sistema de freios ABS unificados. Ao pressionar o manete de freio dianteiro, o disco traseiro também é acionado, levando conta a força aplicada e o peso da moto. O dispositivo antitravamento (ABS) também funcionou muito bem, até mesmo na terra. Os mais radicais e puristas ainda podem reclamar que não é possível desligá-lo, mas nas situações que enfrentei, não encontrei essa necessidade (ainda bem!).

Com as muitas derrapadas e em função do caminho irregular, nessa condição o motor foi bem mais “beberrão”. O consumo médio ficou em torno de 8 km/litro nos 92 km percorridos no fora de estrada.

CONCLUSÃO

Com mais 650 km de asfalto pela frente, ainda tinha mais tempo para avaliar a Yamaha XT 1200Z Super Ténéré, aposta da fábrica japonesa para ganhar mercado no crescente segmento de motos big-trail.

Mas já era possível constatar que a Super Ténéré 2011 faz sim jus a sua origem nos ralis africanos. Com um conjunto bastante robusto, suspensões prontas para encarar qualquer tipo de piso, motor vigoroso e uma posição de pilotagem confortável, a XT 1200Z é aquele tipo de motocicleta que basta você escolher o destino e partir… sem se preocupar com as condições da estrada ou os caminhos a serem percorridos. Estradas com cascalhos na Patagônia? Aposto que ela supera. Caminhos de terra que mais parecem um enduro parque? A nova Ténéré está pronta para isso. Ou simplesmente enfrentar as esburacadas rodovias brasileiras.

Acompanhada de um pacote tecnológico moderno e eficiente, a XT 1200Z Super Ténéré demonstrou qualidade para enfrentar sua principal concorrente, a alemã BMW R 1200 GS, líder de vendas em todo o mundo e há 30 anos pelas piores estradas. Os consumidores e este que vos escreve aguardam uma disputa cara a cara entre essas duas gigantes.

Cotada a R$ 59.800, já equipada com freios ABS, controle de tração, protetores de mão e motor, a XT1200Z Super Ténéré honra com louvor as lendárias Yamaha que cruzavam o temido deserto do Ténéré no Saara africano na década de 80 e 90.

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