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Êxodo no interior pode inchar Maringá

Dos 399 municípios do Paraná, 42% perderam população na última década. Das 25 cidades que integram a Região Metropolitana de Maringá (RMM), quatro encolheram e outras 12 praticamente mantiveram a sua população

18/04/2011 | 16:30 | Reginaldo Eloi

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“Esta inversão foi constatada somente no Paraná”- Ana Lúcia Rodrigues, coordenadora do Observatório das Metrópoles/ foto: Adriana Bueno

Dos 399 municípios do Paraná, 42% perderam população na última década. Das 25 cidades que integram a Região Metropolitana de Maringá (RMM), quatro encolheram e outras 12 praticamente mantiveram a sua população – o aumento populacional foi abaixo de 1% ao ano.

Por outro lado, as cidades polo cresceram mais que as cidades do seu entorno. Maringá, por exemplo, teve aumento populacional nos últimos 10 anos de 2,15% ao ano, enquanto o crescimento regional foi de 1,6%, em média. Maringá superou até Sarandi, que na década anterior cresceu 4,5% ao ano.

Este fenômeno, constatado no último Censo, contraria uma tendência que vinha ocorrendo desde a década de 1970, com o inchaço das cidades menores das regiões metropolitanas. Era o caso de Sarandi e Paiçandu, que cresciam a uma taxa de quase 5% ao ano, enquanto Maringá não passava de 2%. Agora, a cidade polo cresce mais.

“Esta inversão foi constatada somente no Paraná. Em outros estados o crescimento continua sendo maior nas cidades menores e não nas sedes das regiões metropolitanas”, explica Ana Lúcia Rodrigues, doutora em Sociologia Urbana e com pós-doutorado em Urbanismo.

Esta mudança no fluxo populacional já causa preocupação dos prefeitos das cidades menores. “Caso não seja feito algo para frear isso, e se for mantida esta tendência, municípios menores irão encolher – podendo até desaparecer – e as cidades maiores como Maringá deverão sofrer inchaço populacional”, alerta.

O presidente da Associação dos Municípios do Setentrião Paranaense (Amusep), Fernando Brambilla, diz que a associação já discute o assunto. “Uma das finalidades do programa Pró-Amusep é trabalhar ações para conter essa mobilidade populacional das cidades menores para os polos.”

Da RMM, a cidade que mais perdeu população foi Floraí. A cidade encolheu de 5.285 no ano 2000 para 5.050. Atalaia caiu de 4.015 para 3.913.

Das cidades conurbadas a Maringá, chamou a atenção o crescimento de Sarandi, que foi de 1,49% ao ano. “Esperva-se que a população chegasse a 100 mil habitantes. O crescimento de 71.422 para 82.842 desde 2000 a 2010 foi, portanto, bem inferior. Houve até questionamento sobre a contagem”, comenta a pesquisadora.

O mesmo ocorreu com Paiçandu, que vinha mantendo, ao longo das décadas de 1970 e 1980, crescimento de 4,5%. Nos últimos 10 anos cresceu 1,57%, com a população saltando de 30.764 para 35.941.

O mesmo fenômeno foi verificado em Curitiba, que cresceu 2,7%. A capital, que crescia a um ritmo menor que as cidades ao entorno, voltou a crescer na última década mais que os municípios da região metropolitana.

Ana Lúcia Rodrigues diz que a migração para cidades polos ocorre pela falta de mais oportunidades nas cidades menores. “As pessoas vêm para Maringá, por exemplo, para trabalhar, estudar. Os jovens, principalmente, não ficam nas cidades menores.”

O que poderia estancar a migração, segundo ela, seria a integração regional do transporte coletivo, com passe integrado. “Com isso, os jovens, por exemplo, podem vir estudar em Maringá, mas continuar residindo nos seus municípios. O mesmo ocorreria com os trabalhadores.”

Essa integração poderia ocorrer, conforme a professora, por outros meios de transporte, como os veículos leves sobre trilhos (VLTs). “Seria uma solução interessante. O importante, no entanto, é que ocorra, de fato, a integração.”

Além disso, aponta, seriam necessárias políticas de atração de investimentos regional. “Não adianta o município tentar atrair, de forma isolada, empresas, pois o município polo acaba sendo mais atrativo. Seria interessante pensar a região. Uma ideia interessante é incentivar os arranjos produtos locais (onde empresas do mesmo ramo atuam em conjunto para fomentar a atividade).”

Santa Fé é exemplo

Santa Fé foi um dos municípios que registrou maior crescimento população entre as pequenas cidades da região da Amusep. Em 10 anos, a cidade cresceu de 8.870 mil habitantes para 10.436, com taxa de 1,61% ao ano.

Este crescimento se deu, em parte, pela criação de um polo de negócios. O município é conhecido como a capital nacional da fotografia. Outro setor que a cidade investe, segundo o prefeito Fernando Brambilla, é no turismo rural.

Mandaguaçu também registrou um crescimento acima da média regional: 1,6% ao ano ao longo da década passada. Além da proximidade com Maringá, a cidade investe em indústrias, principalmente na área da confecção. Muitas empresas da cidade polo montam suas facções na cidade vizinha devido a oferta de mais mão-de-obra.

Valorização imobiliária

Nas últimas décadas, houve crescimento maior nos municípios conurbados a Maringá por alguns fatores, entre eles, a valorização da terra em Maringá. Como o custo de vida é mais alto na cidade polo, principalmente moradia, Sarandi e Paiçandu receberam maior fluxo de pessoas, que estudavam e trabalhavam em Maringá.

Na última década, segundo a professora, houve inversão com o crescimento maior da Maringá. No entanto, a cidade não está atraindo pessoas de baixa renda, mas população com alto poder aquisitivo. “Há um marketing em cima disso.”

Segundo ela, a cidade investe no setor de serviços especializado, atraindo população com maior escolaridade e que exerce funções mais especializadas.

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1 comentário

Sarandi na web (19/04) :
11:21 em terça-feira, 19 de abril de 2011

[...] perde a liderança no crescimento [...]

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