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Nestes três meses a capacitação foi direcionada para mulheres do Parque Hortência
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Data: 28/01/2011
Conforme estudo que será divulgado hoje em seminário, assassinatos vêm aumentando em Maringá e região nos últimos 6 anos
26/04/2011 | 17:29 | Reginaldo Eloi
Em menos de quatro meses, Maringá já registrou 17 assassinatos, quase a metade do total ocorrido no ano passado. Somente no último final de semana foram dois. Seguindo esta tendência, as ocorrências poderão bater novo recorde, passando de 50. O mesmo poderá acontecer com Sarandi, cujo número de homicídios também completou 17 no feriado de Páscoa.
Maringá, Paiçandu e Sarandi, que formam praticamente um único aglomerado urbano, seguem a tendência de outras regiões metropolitanas brasileiras. Nos últimos seis anos, os crimes contra a vida vêm crescendo nos grandes centros. A maioria, segundo a polícia, está ligada ao tráfico de drogas.
As execuções de viciados que não pagam traficantes e a briga por pontos de venda de drogas promovem verdadeira guerra urbana que já chega a Maringá, principalmente por ser uma cidade polo de região.
Os assassinatos de jovens estão se tornando corriqueiros. E os assassinos geralmente estão bem preparados e armados. Tiros certeiros na cabeça, no coração, são comuns. Assim como não se estranha a utilização de armas de grosso calibre, restrita às forças armadas, e até a aparição de metralhadoras em mãos de menores, muitos deles executores dos inadimplentes e da concorrência, uma forma dos chefões do tráfico eliminarem aqueles que atrapalham seus negócios escusos, sem sujar as mãos e sem risco de acabar na prisão.
Este assunto será debatido hoje, na Universidade Estadual de Maringá (UEM), em evento organizado pelo Observatório das Metrópoles. No seminário “Violência Urbana nas Áreas Metropolitanas”, os pesquisadores irão debater a problemática, apresentar números e possíveis soluções para reduzir a violência.
Em Maringá, conforme o delegado adjunto Nilson Rodrigues da Silva, foram registrados 39 assassinatos no ano passado. Em Sarandi, foram 36.
O crescimento passou a ocorrer, segundo a coordenadora do evento, professora Ana Lúcia Rodrigues, a partir de 2003. Até então, Maringá registrava menos de 10 ocorrências para cada 100 mil habitantes, ou seja, menos de 30 no total, que é um número considerado aceitável pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Em Sarandi, no entanto, a situação é mais grave. Na cidade, conurbada a Maringá, o número de homicídios no ano passado se aproximou de 40 para cada 100 mil moradores, ou seja, praticamente o triplo da cidade polo.
Quando considerada Maringá e Sarandi, que formam praticamente um único núcleo urbano, o total de assassinatos a cada 100 mil pessoas passa a 46,6.
Seminário
No seminário, que começa hoje, reúnem-se em Maringá pesquisadores de todo o país que tratam da violência nas regiões metropolitanas. “O fenômeno da interiorização da violência no Brasil – e Maringá aí está incluída – é da década atual. Neste evento, além de discutirmos os números, tentaremos apontar as causas e possíveis soluções”, comenta Ana Lúcia.
Entre as hipóteses para o aumento da criminalidade, aponta a professora, estão a atração de investimentos e o conseqüente aumento da população nas regiões metropolitanas do interior. “Infelizmente há o inchaço populacional, e as políticas públicas do Estado não conseguem atender às necessidades da população. Há grandes contingentes da população abandonados”, explica a doutora.
Segundo ela, onde o Estado está ausente, as pessoas são cooptadas por outras formas de organização, como o tráfico de drogas. “E essas políticas públicas não são somente de segurança pública, mas faltam políticas de educação, habitação, emprego, lazer.”
Um exemplo do abandono da população é verificado em Sarandi. Lá, segundo a pesquisadora, é perfeitamente visível a ausência do poder público, o que facilita a ação de criminosos e o aliciamento inclusive de crianças e adolescentes que estão nas ruas.
Nos últimos seis anos, de acordo com Ana Lúcia Rodrigues, a criminalidade se espalhou para o interior do país, sobretudo para as regiões metropolitanas, e também manteve aumento nas capitais, com exceção do Rio e São Paulo.
“Nessas duas capitais ocorreu maior intervenção do poder público, não somente na área de segurança, mas com outras políticas públicas”, comenta.
O seminário será realizado de hoje a sexta-feira, com duas conferências, respectivamente sobre “Violência, segurança pública e território”, como o dr. José Ignácio Cano Gestono, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), e “A problemática metropolitana no Brasil e a sua relação com a violência urbana”, coordenada pelo dr. Luiz César Queiroz Ribeiro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Estão programados também dezenas de seminários e mesas redondas.
10:02 em quarta-feira, 27 de abril de 2011
[...] de assassinatos pode ser maior em [...]