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Catadores de lixo ocupam prédio no centro de Maringá

Muito lixo ocupando as calçadas, essa é a primeira imagem que qualquer pessoa tem ao cruzar um pequeno prédio ocupado por uma família de catadores de papel no centro de Maringá

07/07/2010 | 6:00 | Vinicius Machado - CHN

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invadido há 20 anos é usado como moradia e depósito de lixo. Foto: Arquivo

Muito lixo ocupando as calçadas, essa é a primeira imagem que qualquer pessoa tem ao cruzar um pequeno prédio ocupado por uma família de catadores de papel no centro de Maringá. Há mais de 20 anos nas imediações, vivendo em mais de três famílias, os catadores dormem, trabalham, e vem constantemente sendo motivo de queixa da população.

O prédio fica localizado na Rua José de Alencar, entre as Avenidas Carneiro Leão e Brasil, próximo à agência dos correios. Nas proximidades existem diversas empresas, residências e inclusive uma escola de ensino fundamental e médio. O acumulo de lixo tem representando perigo e preocupação para quem vive nas redondezas.

David Romera, 49 anos, vive há 15 no local, a sua renda vem da coleta de lixo reciclável e junto com sua família não pretende deixar o local. “A gente está bem, não ganha bastante, mas dá pra viver. A gente gosta de morar aqui porque é perto do centro, perto de tudo, das cooperativas, da pra vender o que a gente pega na rua”, afirma.

Quando perguntado sobre o proprietário o catador diz que foi autorizado por ele a viver no local. “A gente conhece o dono, ele mora em Cianorte, é pastor de igreja e deixa a gente viver aqui, mas ele não cuida. Nós queremos entrar na justiça pra exigir posse e fazer com que isso seja nosso”, afirma.

O catador de lixo afirma nunca ter tido problema com os vizinhos. “Quem trabalha aqui perto não vem reclamar com a gente, a prefeitura é que aparece vez ou outra, põe as nossas coisas pra fora, recolhe o lixo, leva a gente pra outro lugar, fecha o local, mas a gente acaba voltando”, declara David Romera.

Quem vive ao lado

De acordo com o diretor do Colégio Platão, Jorge Morais, o que mais preocupa a escola e também os pais dos alunos, é o acumulo de lixo nas calçadas em frente ao local. “Eu estou ha 20 anos responsável pela direção da escola e desde então a família mora lá. Nós ficamos muito preocupados porque o acumulo de lixo é um risco para a saúde pública, tanto de quem vive lá, quanto das pessoas que moram ao redor. Aquele lixo pode servir de criadouro do mosquito da dengue, atrair ratos e consequentemente pode prejudicar os alunos”, declara.

“Houve uma época em que os pais cobravam da escola uma solução para o problema, mas eles entenderam que fazemos tudo ao nosso alcance. Hoje os pais são parceiros nessa luta, nos auxiliam fazendo denuncias, abaixo assinado, procurando a prefeitura e dentre outros. Outro problema agravante era com relação ao número de cachorros que vivam junto com os catadores, constantemente era possível ver os cães ameaçando com latidos, e em alguns casos alunos foram mordidos”, afirma Jorge Morais.

A fotografa Mileny Daré, possui um Studio nas proximidades, além de morar no prédio ao lado do terreno ocupado pelos catadores. “Eu moro aqui a mais ou menos uns oito anos e desde aquela época eles já estavam morando lá. É bastante desconfortável, não só para mim, mas também para os demais moradores do condomínio, nós podemos ver boa parte do terreno e é normal presenciarmos cenas bem desagradáveis, que variam desde brigas até aos hábitos de higiene pessoal”, declara.

Mileny Daré afirma também que sua mãe já foi vítima de mordidas provocadas pelos cachorros do local. “Um dia minha mãe passou em frente ao prédio e foi atacada por um dos animais. Como não temos certeza que os cães são vacinados, eu a levei para tomar as vacinas. Já fizemos dezenas de ligações e reclamações tanto para a prefeitura quanto para a vigilância sanitária, eles vêm tiram as pessoas daqui, mas eles acabam voltando. Não entendo como o dono do local não faz nada para impedir uma coisa dessas”.

Segundo a Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Maringá, a Secretaria de Serviços Públicos (SSP) realiza os trabalhos de limpeza no local. O poder público afirma também que esse é um problema antigo e que a vigilância sanitária, o conselho tutelar e demais órgãos municipais tentam constantemente interceder, eles já foram deslocados, mas constantemente acabam voltando e insistindo em permanecer. A Prefeitura Municipal afirma também quer o proprietário do prédio foi notificado e multado diversas vezes, mas não demonstrou interessem em resolver a situação.

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