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Amorim diz que Brasil “não vai se curvar” à pressão dos EUA contra o Irã

As divergências entre Brasil e Estados Unidos sobre o programa nuclear do Irã provocaram hoje (3) uma dura reação por parte do governo brasileiro

03/03/2010 | 16:49 | Renata Giraldi - Repórter da Agência Brasil

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As divergências entre Brasil e Estados Unidos sobre o programa nuclear do Irã provocaram hoje (3) uma dura reação por parte do governo brasileiro. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reiterou que o Brasil tem posições bem definidas orientadas por sua convicção e por esta razão “não vai se curvar” às pressões dos Estados Unidos – que defendem sanções contra os iranianos.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, ouviu a afirmação e acusou os iranianos de mentir sobre planos para a fabricação de armas nucleares.

“Nós pensamos com a nossa própria cabeça. Nós queremos um mundo sem armas nucleares, certamente sem proliferação”, afirmou Amorim, ao lado da secretária de Estado. “Não se trata de se curvar simplesmente a uma opinião que possa não concordar [no caso do grupo liderado pelos Estados Unidos]. Nós não podemos ser simplesmente ser levados. Nós temos de pensar com a nossa cabeça.”

Amorim reafirmou que o governo brasileiro acredita que há condições de buscar um acordo com o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad. “A questão é de saber qual o melhor caminho para chegar lá ou se estão esgotadas as possibilidade de negociação. Nós acreditamos que ainda há oportunidade de se chegar a um acordo, talvez exija um pouco de flexibilidade de parte a parte”, disse o chanceler.

As afirmações do ministro ocorreram durante entrevista coletiva da qual também participou Hillary. Sem modificar sua expressão facial, a secretária acusou o governo de Ahmadinejad de mentir sobre informações relativas à produção de armas nucleares. Segundo ela, os iranianos fornecem dados desencontrados em cada lugar que vão, incluindo o Brasil e a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea).

“O que observamos é que o Irã vai para o Brasil, China e Turquia e conta histórias diferentes para evitar as sanções. Nós continuaremos a discutir essas questões”, afirmou a secretária. “O presidente [Barack] Obama tem feito gestos em relação ao Irã há mais de um ano, mas infelizmente não teve um sinal recíproco.”

Para a secretária, apesar de os Estados Unidos se disporem a negociar com o Irã, as chances são limitadas por causa da falta de interesse do Irã. Ela avalia que o ideal seria buscar um caminho pacífico. “Nós acreditamos que um esforço em favor das negociações, de boa fé, por parte do Irã seriam bem aceitos. Temos de fazer tudo pacificamente para evitar. Vamos continuar a consultar o Brasil”, disse ela.

Evitando detalhar quais são sanções econômicas os Estados Unidos defendem contra o Irã, Hillary afirmou que os iranianos deverão reagir e buscar as negociações somente depois de se verem ameaçados de punição.

“Eu reiteraria que a nossa porta está sempre aberta para as negociações. Ninguém prefere as sanções, nós preferiríamos negociar. A partir do momento que a comunidade internacional fale em uma resolução sobre sanções, é a partir daí vão querer negociar”, disse.

A reação de Amorim foi mais energética do que a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, momentos antes da entrevista coletiva entre o chanceler brasileiro e a secretária norte-americana. O presidente sinalizou que o Brasil poderia flexibilizar em relação ao Irã.

“Eu quero para o Irã o mesmo que quero para o Brasil: utilizar o desenvolvimento da energia nuclear para fins pacíficos. Se o Irã tiver concordância com isso, terá apoio do Brasil. Se quiser ir além disso, o Irã irá contra ao que está previsto na Constituição brasileira e, portanto, não podemos concordar”, disse Lula.

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