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Informalidade e falta de qualificação técnica predominam nas contratações do carnaval

A festa que deve atrair cerca de 730 mil turista para a capital carioca e movimentar cerca de US$ 530 milhões, de acordo com a prefeitura, gera milhares de empregos na cidade

31/01/2010 | 17:49 | Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil

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O carnaval  do Rio é a chance de muitos trabalhadores juntarem dinheiro para se manter pelo ano inteiro. A festa que deve atrair cerca de 730 mil turista para a capital carioca e  movimentar cerca de US$ 530 milhões, de acordo com a prefeitura, gera milhares de empregos na cidade. A informalidade, no entanto, é alta, muitos empregados não têm qualificação técnica e ganham pouco.

A avaliação é da gerente da Área de Economia Criativa do Sebrae-Rio, Heliana Marinho, que desde o ano passado pesquisa o setor, com foco nas escolas de samba e na economia movimentada em torno do Sambódromo. É o mesmo caso de camelôs e barracas de alimentação, por exemplo. O resultado parcial do levantamento é que falta profissionalização da festa.

Embora seja difícil quantificar os empregos gerados no período, devido à informalidade, o Sebrae estima que as escolas contratem por R$ 500 mensais, pelo menos 5 mil pessoas entre agosto e fevereiro. A maioria não tem formação profissional, estudou menos de 12 anos e está na informalidade. Tanto nos barracões quanto nas barraquinhas, como camelôs ou atendentes.

No barracão da Império Serrano, escola de samba do grupo de Acesso 1, a carnavalesca Andrea Vieira, formada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concorda que cursos técnicos poderiam elevar o salário de muitas costureiras, soldadores e artesãos. “Tem gente que não tem nem o segundo grau. Fica faltando noção de geometria e matemática, mesmo que o grosso a gente aprenda fazendo, no dia a dia.”

De acordo com a gerente do Sebrae, a especialização para o carnaval, necessária também para cenógrafos, coreógrafos e demais artistas ajuda a elevar o salários e a qualidade do carnaval na avenida. Por isso, Heliana Marinho defende que capacitação reflete-se na profissionalização de toda a festa, que poderá atrair mais visitantes e, consequentemente, mais dinheiro.

“Temos que ver o turista não como visitante, mas como comprador de negócios e serviços”. “Só nos ensaios técnicos do último final de semana, que reuniram mais de 50 mil pessoas, todo mundo  pegou uma bebida, um churrasquinho ou um petisco. Um gasto médio de R$ 10 por pessoa”, estimou Heliana. “Com planejamento e boas ideias, podemos ganhar mais”.

Para diminuir a informalidade, ela também sugere o cadastramento de camelôs e barraqueiros como microempreendor individual. “Ele paga um tributo em torno de R$ 63 por mês e tem uma licença, legitimidade e Previdência”, explicou, além do acesso a pequenos cursos de administração e controle de produção para servir melhor. “É a garantia do emprego formal a um custo baixo.”

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sua Pesquisa Mensal de Emprego (PME) não é capaz de captar o aumento do número de empregos no período da festa.

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